House poems

Este blog é só para quem gosta de escrever. Publicarei todos os originais enviados.

sábado, abril 01, 2006

RETRATOS

Será que conheço outra dama

Que não seja a luta e a conquista?

Será que me viciei

E doutra forma não sei viver?

Os saques que trago da guerra

Já são de pouco valor!

Antigamente, sim!

A juventude dava-me a garra e a audácia

Para Ser e ousar Ter!

Mas hoje, desencantado,

Escondo a Sabedoria

E mostro a resignação e o conformismo,

Sustentado apenas por um pouco de força anímica!

Cavaleiro Andante, amante da paz, não te compreendo!

Propositadamente instalas a dúvida para que te perpetues nas mentes e nos corações!

Será essa a tua forma de Amar?

Estrategicamente desenvolves as tuas batalhas com objectivos precisos, mas também o adversário te estuda ao pormenor. Se um é mais hábil no xadrez, o outro é-o com as cartas e o equilíbrio mantêm-se!

A transparência é a minha bandeira! O Sol a bordou, o Leão a ornamenta e o ar quente do Fogo a faz esvoaçar!

A tua é opaca mas leve, pois o Ar é o seu maior elemento. Imperceptível tudo preenche. Por isso foi bordada pelo Mundo e o Colectivo a ornamenta. Mas o teu gosto pelos enigmas e a tua perspicácia para a intriga criaram as brumas e o nevoeiro sempre atraiu pelo mistério mas afastou pelo medo do desconhecido!

Único filho renegaste a tua herança e partiste, imbuído de um sentido de justiça e atestado de desapego, já que ao teu reino nada pedias nem querias acrescentar.

Partiste e foste deixando as tuas sementes espalhadas ao vento, vendo a forma como se reproduziam, com um tempo de rega bem seleccionado, esquecendo que os nossos frutos, apesar da carga genética, são únicos e desobedientes, como aliás és disso exemplo!

As tuas lutas passaram de guerras santas a cruzadas do bom combate.

A tua exigência e sensibilidade tornaram-se suaves e silenciosas, mas continuaram presentes.

As tuas cóleras ou amarguras convergem hoje para o reagrupar das energias disponíveis, para que os ideais a favor da colectividade não se extingam.

Interferes de uma forma silenciosa mas plena de humor, que provoca a dúvida, a indecisão e o medo em todos aqueles para quem crescer significa apenas o valor dos algarismos da conta bancária.

Eu nasci príncipe herdeiro de um reino em decadência e quando o quis agarrar, as ruínas eram tantas que decidi abandoná-lo aos corvos.

Pedi ajuda para construir um outro, mais belo, maior e melhor do que o anterior e só tarde compreendi que unicamente de nós depende a edificação do nosso Eu, castelo sem muros e feudo sem servos e sem exército, mas com um território imenso para desbravar e cultivar. Assim, estou a criar belos jardins para que o seu perfume e cenário me embriaguem de prazer, bosques sagrados que me protejam dando-me sombra e aconchego nos momentos de maior aflição e desalento, elevações para repousar e descansar o olhar no horizonte, para que nunca perca a consciência da minha insignificância, lagos de águas límpidas, profundas e tranquilas para me banhar e purificar e hortas repletas de plantas aromáticas, medicinais e alimentícias para cuidar do meu corpo, porque apesar de ser um caminho solitário e cheio de espinhos, uma vez escolhido não mais o queremos abandonar.

Viajei e descobri paixões por terras e gentes que querem crescer e afirmar-se, redescobrindo as suas raízes e legados e quis participar, pois o percurso deles é o meu e com eles aprendo e reconstruo-me!

Aprendi a viver um dia de cada vez, já que é o presente que constrói o futuro e a amar a vida em toda a sua plenitude, já que é o Amor que nos aporta a Sabedoria para que os nossos passos não sejam em vão.

Hoje conheço o meu caminho, que apesar de solitário é repleto de jóias únicas que adornam o meu coração e me fazem sorrir de vaidade e orgulho.

Por toda a parte diamantes em bruto esperam a vez de serem lapidados para que dia após dia o brilho no mundo seja maior e ofusque de uma vez por todas as trevas em que muitos continuam imersos.

É trabalho dos que escolhem a solidão por companheira mostrar através da sua postura que há vários tipos de casamento e que nenhum é mais fácil, difícil ou socialmente correcto do que outro, mas em caso algum uma companhia física impede que a evolução seja sempre um caminho pessoal e da nossa inteira e exclusiva responsabilidade.

Bem-hajam

Filipe Barros

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