A(O)s Escolha(o)s
Escolhi a vida,
Porque a vida me dá
A memória da memória
E eu quero tê-la!
Escolhi o Amor,
Porque o Amor é vida
E nasce e renasce
Em cada acto escondido
Que de tanto proibido
O julgamos apagado.
Escolhi Amar,
Porque Amar é acreditar
Que não estou só
Que me confundo no Sol
Porque nas sombras não estou.
Escolhi a alegria,
Porque estou e sou “Alegre”,
Porque estou atenta
“ao vento que passa”
Em cada praça portuguesa
Onde se cantam canções.
E hoje,
Numa praça sem ilusões
Vou sonhar
Que a alegria venceu
Que cada português é poeta
Do espírito português.
E vou sonhar
Que o teu olhar transparente
Em que as palavras se enlaçam
Com o vigor da poesia,
Quando os teus olhos me dizem
Luto porque acredito
Nos Homens
Luto porque sou português.
E no meio de tanta escassez
Não me esqueço
Que a fome não é só minha
E não quero mendigar,
Porque só mendiga
Quem nada tem
E eu tenho tudo
Mas continuo com fome
De amor e de justiça
E essa ânsia de pão
Só me aumenta a razão
Das batalhas dos cravos
E dos amores
Que não são perfeitos
Eu sei,
Mas são sinceros
E sentidos,
Como a poesia que faço
Como o grito que ela tem
E por isso,
Estou contigo amigo
E vou continuar a estar
Em cada gesto e palavra
Que seja para acordar
As memórias enfraquecidas
De um povo de brandos costumes
Assalariado às ordens
De regras não menstruais,
Que se cumprem
Não com a lua ou a maré
Mas apenas com a tristeza
De ninguém saber quem é.
E hoje digo e redigo
Que enquanto alguém cantar
A canção da alegria
Nesta pátria de Camões
Haverá sempre uma praça
Em que no silêncio
Da fome ou da fartura
Estará o som da canção
Da fortaleza de um povo
Com tradição e cultura.
Bem hajam
Filipa Barros

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